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“Vivências bandeirianas”
Com Alumbramentos e
perplexidades a Carpe Diem Editora insere-se oficialmente no
mercado brasileiro, justo neste ano de 2009 quando uma crise
financeira internacional diz não aos investimentos no setor. A
iniciativa poderia significar pouca habilidade para tal empreitada,
caso não se considerasse que poucos editores disporiam do privilégio
de inserir-se no contexto histórico da convivência com um dos mais
importantes documentalistas brasileiros, Edson Nery da Fonseca, e
seu alumbramento pela arte poética do pernambucano Manuel Bandeira,
“o grande pai de uma geração de poetas fabulosos” como a ele se
refere Vinícius de Moraes.
Diante da excelência dessas
personalidades literárias, recuamos do propósito de analisar a obra,
ela mesma uma exposição e análise de vivências raras na grande teia
da “vida que valeu ‘a pena e a dor de ser vivida’”, em sua terceira
edição.
Este livro faz-se
acompanhar do lançamento de um CD com poemas de Manuel Bandeira
lidos por Edson Nery da Fonseca que registra: “Fascinante é ainda a
presença da música e das artes plásticas em sua obra poética e
ensaística”. Mas o autor não apenas escreve como também expõe sua
familiaridade com a poética bandeiriana para além do alcance visual
de suas letras, ele nos revela a outra face, a musical, dos poemas.
Como se há de concluir, o texto poético adensa-se, intensifica-se,
permitindo que se apreendam seus significados sem fronteiras.
É possível ser universal
cantando a sua aldeia? Sim; o leitor e o ouvinte concluirão após a
leitura da obra, porque a memória e a imaginação são alguns dos
vetores que virtualizam e unem as expressões diversas e
contraditórias da experiência humana bem antes que a Internet
existisse. A poesia como toda grande arte é construtora de pontes
entre territórios bem diversos da materialidade, os da alma. Manuel
Bandeira universaliza-se em sua singularidade e permite dizer a você
que nos lê: Viva Bandeira. “Carpe diem” bandeirianamente.
Antônio Campos
Advogado e escritor
Curador da Fliporto 2009
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