A ficção nordestina é uma das mais ricas e belas da
literatura brasileira e universal. Infelizmente, nem sempre
essa literatura tem alcançado o justo reconhecimento. São
inúmeros os exemplos de ficcionistas nordestinos
injustamente marginalizados do conhecimento do grande público
O conjunto da obra de Maximiano Campos ainda não ganhou a
merecida projeção. Talvez tenha sido o preço que ele
pagou por ter sido um dos mais solitários e arredios
escritores de sua geração — a chamada Geração 65.
A sua obra — Sem Lei nem Rei (romance), As
Emboscadas da Sorte (contos), As Sentenças do Tempo (contos) e As Feras Mortas (contos); A Loucura
Imaginosa (novela), O Major Façanha (novela), A
Memória Revoltada (novela), O Lavrador do Tempo (poesia), Cartas aos Amigos (ensaios); Do Amor e
Outras Loucuras (poesia) e Os Cassacos (novela)
— compõem, na área da ficção, um expressivo mural da
vida nordestina, ou melhor, da vida humana, através deste
pedaço de Brasil que é o Nordeste.
O lançamento da obra completa de Maximiano Campos e do seu
catálogo iconográfico e biográfico significa a continuação
da luta do escritor que acreditava ser preciso resistir
contra uma globalização sem justiça social ("Vencer
é a própria capacidade de resistir"). Para ele,
escrever era se rebelar contra as dores e as injustiças do
mundo.
Sobre o contista, o romancista e o poeta que ele foi, os
seus trabalhos dirão melhor do que eu possa dizer, nestas
palavras, nas quais apenas reafirmo minha admiração e
tento amenizar uma saudade, falando sobre ele, agora, e
sempre que souber reunir algumas palavras em sua homenagem.
Antônio
Campos
(Encontro
com Maximiano Campos. Recife: IMC, 2004, p. 7.)
O pernambucano Maximiano Campos teve uma vida breve e luminosa — uma dessas raras trajetórias que costumam deixar ao seu passo uma obra sólida e que pelas artimanhas das circunstâncias, acaba correndo o risco de ficar restrita a um âmbito limitado. Para corrigir a injustiça, surgiu o projeto de reunir o conjunto de obra literária desse intelectual inquieto e criativo, que, em seus escassos 57 anos de vida, acumulou uma formidável bagagem de atividades significativas na vida cultural de Pernambuco. É mais do que hora de dar ao legado que nos deixou a visibilidade merecida.
Maximiano Campos, nascido em 1941 no REcife, foi, mais que integrante, um dos luminares da Geração de 65, formada por poetas e romancistas de Pernambuco. Seus romances e contos mereceram o aplauso de Ariano Suassuna, cujo rigor faz com que seu endosso a obras literárias seja sempre escasso. Não foi à toa que Maximiano Campos entrou no restrito rol dos elogiados pelo mestre.
É o que se pode constatar agora, com o novo e oportuno lançamento de suas obras, cujo impacto seguramente alcançará novas dimensões no mapa cultural do Brasil!
Ao prestar seu apoio a esse projeto, a Petrobrás cumpre, uma vez mais, a função social de contribuir para o resgate e a preservação das artes e da cultura do país. A obra de Maximiano Campos, pernambucana e nordestina em sua essência, é certamente brasileira e universal em sua dimensão.
Basta ler o que ele escreveu para confirmar que o Brasil merece descobrir seu autor.
(Encontro
com Maximiano Campos. Recife: IMC, 2004, p. 9)