A ficção nordestina é uma das mais ricas e belas da
literatura brasileira e universal. Infelizmente, nem sempre
essa literatura tem alcançado o justo reconhecimento. São
inúmeros os exemplos de ficcionistas nordestinos
injustamente marginalizados do conhecimento do grande público
O conjunto da obra de Maximiano Campos ainda não ganhou a
merecida projeção. Talvez tenha sido o preço que ele
pagou por ter sido um dos mais solitários e arredios
escritores de sua geração — a chamada Geração 65.
A sua obra — Sem Lei nem Rei (romance), As
Emboscadas da Sorte (contos), As Sentenças do Tempo (contos) e As Feras Mortas (contos); A Loucura
Imaginosa (novela), O Major Façanha (novela), A
Memória Revoltada (novela), O Lavrador do Tempo (poesia), Cartas aos Amigos (ensaios); Do Amor e
Outras Loucuras (poesia) e Os Cassacos (novela)
— compõem, na área da ficção, um expressivo mural da
vida nordestina, ou melhor, da vida humana, através deste
pedaço de Brasil que é o Nordeste.
O lançamento da obra completa de Maximiano Campos e do seu
catálogo iconográfico e biográfico significa a continuação
da luta do escritor que acreditava ser preciso resistir
contra uma globalização sem justiça social ("Vencer
é a própria capacidade de resistir"). Para ele,
escrever era se rebelar contra as dores e as injustiças do
mundo.
Sobre o contista, o romancista e o poeta que ele foi, os
seus trabalhos dirão melhor do que eu possa dizer, nestas
palavras, nas quais apenas reafirmo minha admiração e
tento amenizar uma saudade, falando sobre ele, agora, e
sempre que souber reunir algumas palavras em sua homenagem.
Antônio
Campos
(Encontro
com Maximiano Campos. Recife: IMC, 2004, p. 7.) |