A
Geração 65 é um marco irreversível na história da cultura
brasileira.
César Leal
(apud
BEZERRA, Jaci (org.). Geração 65. O Livro dos Trinta Anos.
Recife: Fundaj, 1997, p.23)
[...]
enquanto trabalhadores intelectuais, éramos crentes, em primeiro lugar,
em que concepções ideológicas, religiosas, políticas eram bem
vindas, eram respeitadas e mesmo desejadas, mas eram secundárias à
beleza e à verdade. [...] esse traço é talvez a principal razão do
pluralismo político ideológico 'stricto sensu' de todos que integram a
Geração. Roberto Aguiar.
A minha Geração foi meu 'ponto de inserção no mundo', para
usar uma expressão de Teilhard de Chardin [...] a troca de informações
e experiência, nem sempre compreendida em seu justo valor e em seu
inevitável tumulto, fazia parte de uma certa maneira de viver que não
mais se repetiu. [...] Se há uma característica que pode ser apontada
como uma constante em nossa geração, esta vem a ser antes a
diversidade de pressupostos estéticos que a homogeneidade de princípios
que comumente costumam diferenciar um geração de outra. Ângelo
Monteiro.
Não
estávamos entre aqueles que ainda classificam os seres humanos em
nobres e plebeus, prática e modo de pensar tão persistente neste
Brasil tão oligárquico e pré-iluminista, principalmente entre os
nordestinos ciosos de nomes de família. [...] E é por isso, por sermos
povo, que, na nossa arte, o povo nunca foi visto nem tratado como algo
exótico, pitoresco e engraçado.
Sebastião
Vila Nova.
O
fenômeno de surgimento da Geração 65, (pelas mãos de César Leal),
foi um paradoxo histórico de caráter democrático. No momento em que
as oligarquias uniam-se aos militares para interromper todo um processo
que visava a uma maior distribuição de renda no País, não foram os
filhos dessas oligarquias os contemplados com espaço nos jornais e na
UFPE. Mas o paradoxo é aparente. 64 não foi 68, quando a ditadura
tirou a máscara e botou o capuz. O Brasil é muito grande e eles
precisaram de quatro anos para sufocar, mesmo, o que havia de melhor na
cultura brasileira. Alberto da Cunha Melo.
Quando o Grupo de Jaboatão — Alberto da Cunha Melo, Domingos
Alexandre, Jaci Bezerra e José Luís de Almeida Melo — aportou nas páginas
do Diario de
Pernambuco (1966), sob a entusiástica tutela do grande poeta e crítico
brasileiro César Leal, outros escritores já haviam merecido a acolhida
do Mestre. Como na formação de uma onda que precisa de dois fluxos
para se formar — o impulso de retorno e o de chegada — estes se
somariam a um processo aglutinador contínuo de convivência e produção
literária que desaguava também nas páginas mimeografadas das
antologias de Elói Editor (1967). São essas publicações recebidas
com incomum euforia, pela crítica pernambucana e pelo público em
geral, que levariam o geógrafo e historiador Tadeu Rocha a registrar o
aparecimento da "[..] mais nova geração literária da metrópole
do Nordeste", e a nomeou de Geração 65. O IMC presta também,
nestas páginas, uma homenagem à sensibilidade desses intelectuais,
somando a esse trio o exemplo maior de convivência fraterna, com todos
da Geração 65, que foi a grande poetisa pernambucana Celina de
Holanda.
Antônio Campos.